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Hipertrofia

Faixa de repetições para hipertrofia: 6 a 8 ou 12 a 15?

Chega de 3x12 fixo! Aprenda a escolher a faixa de repetições para hipertrofia certa, com blocos de progressão e exercícios multiarticulares vs isolados.

Foto: Ketut Subiyanto / Pexels

Quando falo em faixa de repetições para hipertrofia, a primeira coisa que vem à cabeça de muito aluno é 3×12 fixo. Só que a ciência mostra outra coisa: dá para crescer com 5, com 15 ou até com 30 repetições, desde que o esforço seja real e a progressão exista. O número em si não é o problema. O problema é repetir a mesma faixa para sempre, com a mesma carga, e achar que o músculo vai continuar respondendo.

Já perdi a conta de alunos intermediários que travam no leg press fazendo 4×12 com o mesmo peso durante meses. Não é o exercício que precisa mudar. É o esquema de repetições e o critério de progressão.

Por que o 3×12 fixo estaciona qualquer um

O 3×12 tem um problema: ele vira ritual. O aluno faz 12, descansa, faz 12, descansa, e no fim do treino sente que treinou porque suou. Mas se a carga não desafia, se sobram duas ou três repetições no tanque em todas as séries, aquele volume é morto.

Na minha experiência, quando um intermediário estagna, a primeira coisa que faço é tirar o 12 da conta. Mudo para 6 a 8 repetições com mais carga. Na primeira semana, a amplitude pode cair um pouco no final da série, a perna treme, mas é ali que o estímulo mecânico começa a aparecer. Em poucas semanas, a carga sobe e o aluno percebe que nunca tinha sentido o quadríceps trabalhar daquele jeito.

O erro clássico é tratar a faixa como receita. O mesmo 12 pode ser pesado para um e leve para outro, dependendo da carga, da velocidade e de quantas repetições faltam para a falha.

Como escolho as repetições por tipo de exercício

A régua que uso é simples: divido os exercícios em dois grupos.

Multiarticulares pesados, agachamento, leg press, supino, remada curvada, desenvolvimento, ficam entre 6 e 8 repetições. Movimentos que exigem coordenação e estabilidade respondem melhor a cargas altas, porque a tensão mecânica é o que manda. Com carga leve demais, o controle da barra e a ativação do músculo-alvo ficam comprometidos. Com 6 a 8, dá para treinar perto da falha sem destruir a técnica e ainda manter um componente de força que ajuda na progressão.

Isolados, rosca direta, tríceps testa, elevação lateral, extensora, flexora, ficam entre 12 e 15. A lógica é oposta: cargas absurdas em movimento isolado só geram roubo com o corpo, estresse em tendão e articulação, e tensão mal distribuída. Repetições mais altas permitem controlar a fase excêntrica, sentir o músculo trabalhar e acumular volume sem castigar as articulações.

Então, no mesmo treino, você faz supino reto 4×6-8 e cruza com crucifixo inclinado 3×12, elevação lateral 3×15 e tríceps testa 3×15. É assim que monto meus blocos.

Blocos de 6 a 8 semanas: o segredo da progressão

Se você leu o post sobre as diretrizes do ACSM, já conhece o RIR. Então vou direto ao ponto: escolher a faixa certa é o primeiro passo. Manter essa faixa estável é o que separa quem evolui de quem patina.

Um bloco de 8 semanas para um intermediário que treina 4 vezes por semana pode ser assim:

  • Treino A (peito, ombro, tríceps): supino reto 4×6-8, crucifixo inclinado 3×10-12, desenvolvimento militar 4×6-8, elevação lateral 3×12-15, tríceps testa 3×12-15.
  • Treino B (costas, bíceps): remada curvada 4×6-8, puxada frontal 3×8-10, remada baixa 3×10-12, rosca direta 3×12-15, rosca martelo 3×12-15.
  • Treino C (pernas): agachamento livre 4×6-8, leg press 3×8-10, stiff 3×8-10, extensora 3×12-15, flexora 3×12-15.

Durante o bloco, não mexo na faixa. O aluno faz supino 4×6-8 por semanas seguidas. A progressão vem pela dupla progressão: definida a faixa, quando ele consegue fazer 3 séries de 8 com boa técnica, aumento a carga em 2,5% a 5% na sessão seguinte e recomeço com 6 repetições. Isso vale para qualquer faixa.

Eu mesmo já cometi o erro de variar demais. Fazia 5×5 na segunda, 3×12 na quarta, 4×20 na sexta, para “confundir o músculo”. No fim do mês, não tinha registro de carga nenhum, porque cada treino era um experimento novo. O músculo responde a estímulo e recuperação, não a surpresa. Quando parei de variar a cada sessão e passei a trabalhar com blocos estáveis, a progressão destravou.

O que fazer quando a evolução trava

Se um aluno estagna na mesma carga e na mesma faixa por duas semanas seguidas, antes de sair trocando o número de repetições ou o exercício, eu avalio técnica, descanso e alimentação. Na maioria dos casos, o problema não é a faixa de repetições para hipertrofia. É o cara dormindo 6 horas por noite, comendo igual a um passarinho ou fazendo a série com metade da amplitude.

Outro erro comum é achar que repetições altas definem. Esse mito se recusa a morrer, mas definição é basicamente baixo percentual de gordura, e isso vem de déficit calórico, não de fazer 20 repetições na rosca direta. Repetições altas têm seu lugar nos isolados e em blocos de descanso articular, mas não queimam gordura localizada e não definem nada quando usadas como muleta.

Fontes consultadas

  • International Journal of Strength and Conditioning (IUSCA) — Resistance Training Recommendations to Maximize Muscle Hypertrophy in an Athletic Population: Position Stand of the IUSCA — 2021 — link
  • European Journal of Sport Science — Effects of different intensities of resistance training with equated volume load on muscle strength and hypertrophy — 2018 — link
  • Sports (MDPI) / PubMed — Loading Recommendations for Muscle Strength, Hypertrophy, and Local Endurance: A Re-Examination of the Repetition Continuum — 22/02/2021 — link

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