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Treino de costas para hipertrofia: a ordem certa das trações

Descubra a ordem certa das trações no treino de costas para hipertrofia. Ajuste a puxada antes das remadas e ative o dorsal de verdade. Confira o treino.

Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels

Treino de costas para hipertrofia não estaciona por falta de exercício. Estaciona porque a ordem das trações está invertida e o dorsal nunca recebe estímulo pesado quando está fresco. Na semana passada, um aluno de 37 anos, quase seis de treino, me mostrou a ficha dele: quatro remadas diferentes e a puxada vertical no fim. Perguntei se sentia as costas na puxada. “Sinto o braço”, respondeu. Claro que sentia. O bíceps já tinha virado o limitante antes de o latíssimo ser exigido de verdade.

Por que o treino de costas para hipertrofia trava na ordem, não na falta de exercício

O erro clássico do praticante intermediário é montar costas como lista de preferências, colocando a remada pesada primeiro e a puxada vertical no final. Seis meses depois, a genética vira a desculpa. Mas a genética não tem culpa de um padrão que coloca o bíceps, o antebraço e a lombar para trabalhar antes do dorsal.

Largura vem das puxadas verticais, que alongam o latíssimo de cima para baixo. Espessura vem das remadas, que puxam o cotovelo para trás com a escápula abrindo e fechando. Os dois padrões usam os mesmos auxiliares. Se a remada pesada abre o treino, o bíceps fadiga segurando a barra. Quando a puxada chega, o dorsal até está descansado, mas o braço não aguenta mais a carga necessária para recrutar o latíssimo. Por isso o músculo-alvo nunca é o primeiro a trabalhar pesado. A ordem errada transforma volume em fadiga que não atinge as costas.

Eu mesmo cometi esse erro. Com 21 anos, quatro de treino nas costas, eu abria o treino com remada curvada pesada por puro gosto e deixava a puxada para o fim. A largura não vinha, e eu culpava a genética. Quando inverti a ordem mantendo o mesmo volume, o dorsal respondeu em poucos meses. Não mudei exercício. Mudei a hierarquia.

Os 6 exercícios que uso, divididos em 3 padrões de tração

Costas se dividem em três padrões de tração. O primeiro é a puxada vertical, em que o cotovelo desce perto do tronco e o dorsal trabalha em amplitude de cima para baixo. Uso a puxada na frente com pegada pronada aberta e a barra fixa com pegada pronada. O segundo é a remada horizontal, em que o cotovelo puxa para trás e a escápula abre e fecha. Entram a remada curvada com barra e a remada baixa com triângulo. O terceiro é a tração unilateral, feita um braço de cada vez para corrigir assimetria e ganhar amplitude extra. Minhas escolhas são a remada serrote com halter e a puxada unilateral no pulley alto.

Esses seis exercícios formam um cardápio, não um treino inteiro. Quem tenta encaixar todos no mesmo dia perde qualidade de execução a partir do terceiro movimento. Um bom treino de costas tem três, no máximo quatro exercícios. O resto fica para a próxima sessão.

Treino de costas para hipertrofia com foco em largura: a puxada vertical vem primeiro

Se a meta é o shape em V, a puxada vertical precisa abrir o treino. É o momento em que o dorsal está descansado, o bíceps ainda não limitou a carga e o movimento que mais entrega largura recebe força máxima.

Uma sequência que uso bastante é essa: puxada na frente com pegada pronada aberta, de 8 a 12 repetições; remada serrote com halter, de 10 a 12 por lado; remada baixa com triângulo, de 12 a 15. Na puxada, o cuidado é soltar a escápula no alongamento e puxar o cotovelo para baixo, em direção ao tronco, sem jogar o corpo para trás. A remada serrote entra na sequência porque ser unilateral preserva a lombar mesmo com fadiga acumulada. A remada baixa finaliza o volume de espessura sem sobrecarregar a cadeia posterior de novo.

Um caso comum que atendo: aluno de 29 anos, três anos de treino, travado nos 45 kg na puxada, sentindo o antebraço falhar antes do dorsal. A ficha tinha remada curvada em primeiro lugar. A única mudança foi trazer a puxada para o início. Em oito semanas, ele chegou a 60 kg com a mesma execução e as camisas começaram a apertar no meio das costas.

Outra confusão frequente é trocar a puxada pela barra fixa sem ter força para oito repetições limpas. Para hipertrofia do dorsal, prefiro puxada na polia com carga ajustável a barra fixa mal executada, cheia de chute de perna e escápula presa. Barra fixa fica para quando o aluno sustenta séries de oito a dez com técnica limpa.

Quando a remada pesada vem primeiro, no treino de espessura

Se a prioridade é aquele dorsal grosso que aparece até embaixo de camiseta, a remada pesada abre o treino. Mas a remada curvada cobra um preço de quem executa mal.

Conheço um aluno de 42 anos, quase dez de treino, que vivia com a lombar dolorida depois da remada e culpava a idade. O problema não era a idade. Era o tronco subindo junto com a barra a cada repetição, transformando o exercício em um levantamento terra disfarçado. Tiramos 20% da carga, fixamos o ângulo do tronco e a dor desapareceu. O dorsal, que ele dizia nunca sentir, passou a trabalhar de verdade.

Para espessura, minha ficha costuma ser: remada curvada com barra, 4 séries de 8 a 12; puxada na frente com pegada pronada, 3 séries de 10 a 12; puxada unilateral no pulley alto, 3 séries de 12 a 15 por lado. Na remada, o tronco precisa ficar estável, a escápula livre para retrair e o cotovelo puxando na direção do quadril. Se o tronco balança ou a lombar arqueia, a carga foi longe demais. A puxada entra no meio com o bíceps já tocado pela remada, por isso mantenho a carga moderada e a faixa de repetições mais alta. O unilateral fecha o treino para corrigir assimetria e alongar o dorsal sem exigir muito da lombar, já que o corpo fica apoiado.

Pegada, escápula e cotovelo: o detalhe que separa dorsal de bíceps

Mesmo com a ordem certa, dá para transformar o treino de costas em treino de bíceps com uma pegada mal escolhida. O estudo do Youdas, publicado em 2010 no Journal of Strength and Conditioning Research, mostrou que a ativação do bíceps cresce quando a puxada é feita com pegada supinada. A ativação do latíssimo continua praticamente a mesma. Na prática, quem troca a pronada pela supinada não ganha nada em dorsal, só entrega mais trabalho ao braço. Se o bíceps falha antes das costas, o problema não é falta de consciência corporal. É a pegada que colocou o braço como protagonista.

Tenho três regras que repito em quase toda avaliação de execução. Primeira: puxe com o cotovelo, nunca com a mão. A mão só segura. Na puxada, o cotovelo desce em direção ao tronco. Na remada, vai para trás, em direção ao quadril. Quando o aluno pensa em dobrar o braço, o bíceps assume. Quando pensa em levar o cotovelo ao quadril, o dorsal faz o serviço. Segunda: controle a escápula sem prendê-la o tempo inteiro. Na puxada, ela sobe no alongamento e desce com o cotovelo. Na remada, abre no estiramento e retrai no pico. Escápula presa encurta a amplitude e transfere o trabalho para o trapézio. Terceira: escolha a pegada pelo objetivo. Para hipertrofia de costas, priorizo pronada ou neutra. A supinada fica para variação pontual, porque ativa mais o bíceps e não oferece retorno extra para o dorsal, como mostrou o Youdas.

Depois da pegada, o vilão seguinte é o tronco balançando na puxada. Se o quadril anda mais de dez centímetros para trás a cada repetição, a carga está alta ou o aluno está usando impulso. Um ângulo de 15 a 20 graus basta para a polia passar livre sem roubar amplitude.

Volume, progressão e os sinais de que o treino de costas está funcionando

Para quem treina costas duas vezes por semana, 12 a 16 séries semanais costumam dar conta do recado. Menos que isso dificilmente gera estímulo. Mais que isso tende a sobrar para a lombar. Eu divido assim: uma sessão com ênfase em largura, outra com ênfase em espessura, e sempre um padrão vertical e um horizontal em cada uma.

Progressão não é acrescentar anilha toda semana. É conseguir mais repetições com a mesma carga, ou a mesma repetição com mais carga, mantendo o cotovelo como protagonista. Quando a pegada falha antes do dorsal, um par de straps resolve. O acessório é barato e tira o antebraço do caminho, mas não conserta técnica ruim.

Como saber se o treino está funcionando? Três sinais aparecem com o tempo. Você consegue aumentar a carga na puxada vertical sem que o bíceps vire o limitante. Sente o alongamento do dorsal no início da puxada, aquele estiramento embaixo do braço. E as camisetas começam a incomodar perto das axilas, sinal de que a largura chegou. O aluno de 29 anos não mediu as costas antes e depois. Percebeu o resultado quando a manga passou a apertar. É esse o feedback que eu procuro.

Hoje, quando alguém me mostra uma ficha de costas, procuro uma coisa: a posição da puxada vertical. Se ela veio depois de três remadas, o problema não é exercício nem genética. É hierarquia. Comece pela puxada, mantenha o volume, respeite a execução e dê oito semanas. Na minha experiência com alunos, o dorsal responde antes do que a pessoa espera. E não é preciso trocar metade da ficha para isso.

Fontes consultadas

  • Journal of Strength and Conditioning Research (NSCA) — Surface Electromyographic Activation Patterns and Elbow Joint Motion During a Pull-Up, Chin-Up, or Perfect-Pullup™ Rotational Exercise — 12/2010 — link

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